O game "Garshasp" pode ser considerado um título inusitado, indie, cult... e por aí vai – não por sua jogabilidade ou construção gráfica, mas sim pela história por trás de sua produção. Se trata de um projeto de programadores iranianos totalmente independentes que, apaixonados pela dinâmica de "God of War", resolveram criar (meio que do nada) um jogo que trouxesse o mesmo feeling sádico e brutal da história épica de Kratos. Um intuito nobre!
Não profissionais, os produtores/desenvolvedores tocaram o projeto sem ao menos um software de criação específico, aprendendo programação e valiosas informações de como construir um jogo em fóruns e sites especializados. "O Google foi nossa universidade", confessou um dos "malucos". No final, o resultado deu certo e eles conseguiram lançar seu "Garshasp".
A história do game se baseia na lenda persa de mesmo nome, em que o personagem principal é um caçador incansável de monstros demoníacos e sua tarefa é salvar a humanidade do mal. A origem dos problemas vem com o Exército das Trevas de Azhadahak, constituído de criaturas sedentas de sangue humano. A armada do inferno recuperou seus antigos poderes e agora ameaça a liberdade de todos os seres vivos. Além desse problemão, outras motivações também surgem, mas não vem ao caso entregá-las aqui para não estragar a surpresa daqueles que pensam em testar o título.
O grande problema é que boas intenções não fazem com que um jogo seja necessariamente bem feito. Apesar de um interessante sistema de luta e diversas boas ideias (que são exploradas de forma criativa em determinados momentos), a experiência final da jogabilidade de "Garshasp" acaba sendo sofrível e irritante. Além da repetição constante, a câmera confusa acaba prejudicando em muito a fluidez do título, sem contar os bugs incompreensíveis que ocorrem em lugares simplesmente inesperados, travando e impedindo a progressão de seu personagem. O desenvolvimento de fases é pobre, assim como o acabamento de certos movimentos, como o salto duplo. As cinematics do game são eficientes, revelando a veia cinematográfica presente nos realizadores, já a trilha sonora é completamente esquecível.
No fim, mesmo contabilizando inúmeras falhas, "Garshasp" tem seu valor, pois, muito mais que um produto, o projeto foi um ideal que viu a luz do dia – algo difícil de acontecer no mercado de games extremamente seletivo que temos hoje. É ruim, mas apesar disso, apresentou uma atitude respeitável. Que venham outros!
Da Redação
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