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31/01/2012 - 15:10h

Preview: "Asura`s Wrath"

Quando "Dragon Ball", "God of War" e "Heavy Rain" se pegam na porrada

A menos de um mês do lançamento, "Asura`s Wrath" já virou motivo de discussão por sua temática única, suas muitas proezas e aparentes falhas. Com a demo lançada na PlayStation Network e na Xbox Live na semana passada, nós aqui do POP Games resolvemos que seria uma boa ideia jogar esta degustação de jogo para, em conjunto, falarmos sobre ela, e mesmo entre nós houve discórdia: enquanto a maioria achou o jogo um projeto falho da Capcom, alguns viram nas hipérboles deste novo beat`em up uma alegria antiga, quase proibida nos jogos modernos. Nos parágrafos abaixo, você entenderá o porquê.

Dirigida por Seiji Shimoda, um diretor novato no cargo, a história desta obra discutível tem uma motivação simples: o jovem deus Asura se vê, um dia, traído por seu panteão, que sacrifica sua esposa, aprisiona sua filha e tenta destruí-lo para completar um ritual de apocalipse. Pego desprevinido, Asura é jogado na Terra para apodrecer enquanto vê sua família lhe ser furtada. Quando acorda, só consegue pensar em uma coisa: vingança. Deste ponto de vista, o título "Asura`s Wrath" ("A Fúria de Asura") faz muito sentido, não é mesmo?

Assim começa a trama deste jogo da CyberConnect2, publicado pela Capcom e já aclamado como a versão japonesa de "God of War". A comparação é imediata e inevitável: os dois títulos têm protagonistas traídos pelos deuses, os dois vêem suas famílias destruídas pelo desejo da violência, os dois são extremamente bons na porrada e os dois estão muito, muito bravos. Mesmo o jeito dos dois protagonistas é parecido: tanto Kratos quanto Asura andam por aí sem camisa, de peitoral e bíceps musculosos à mostra e com um saiote antigo. Os dois rosnam e gritam, os dois cortam seus oponentes sem a menor consideração pelo dano que estão provocando ao resto do mundo. Os dois querem que tudo se exploda em prol da vingança. Por onde quer que seja, "Asura`s Wrath" e "God of War" são variações temáticas de tragédias divinas, ainda que contadas por duas tradições muito diferentes.

As semelhanças, porém, permanecem apenas no nível das ideias. Quando jogabilidade e direção entram em jogo, as diferenças entre visões ocidental e oriental se mostram evidentes. Enquanto o jogo de Kratos tenta ser o padrão dos jogos beat`em up em 3D, com muitos inimigos, muitos comandos, muitos ambientes para explorar e alguns puzzles que estimulam o senso de imersão do jogador, a CyberConnect2 criou "Asura`s Wrath" com um único objetivo em mente: fazer com que o jogador, e todos os redor dele, imaginem que estão assistindo um anime. É realmente admirável que, durante 80% do tempo, o jogo se desenvolva em cenas pré-gravadas, ricamente costuradas pelo uso sensato de quick time events que alteram o decorrer da ação. Cada episódio é desenhado para ter, em média, 30 minutos, e o estúdio deixa até mesmo aquelas tradicionais cenas de suspense no final de cada capítulo com um "Continua no próximo episódio" escrito na tela.

Divulgação/CapcomExagero? Este é o mote do jogo, caro leitor

A ação, além dos QTEs que lembram em muitos momentos "Heavy Rain", divide-se entre momentos de pancadaria em arenas, como "Devil May Cry" faz bem, e mini-games dos mais diversos, sejam eles um combate em queda livre ou uma cena de troca de hadoukens contra um gigante. Tal ideia pode parecer despropositada, a princípio, mas a temática do jogo a justifica: tratando-se de deuses em um anime ao estilo "Dragon Ball", nada é excessivo. As cenas, dirigidas sempre para serem frenéticas em seus movimentos, lembram muito o anime de Akira Toriyama na movimentação dos personagens, desde a constante troca de porradas em altíssima velocidade até superpoderes injustificados como saltos de centenas de metros de altura e socos que movem montanhas. A todo momento, o jogo se esforça para revelar um exagero ainda maior que o anterior, seja trazendo um inimigo maior que o planeta Terra ou ilustrando uma espada que cresce tanto que impala o mundo inteiro.

Aescolha artística por exacerbar todos os movimentos definitivamente é uma polêmica. Como em todo anime de pancadaria, o protagonista parece ter uma resistência infinita à punição física, por mais absurda que seja a forma de execução a qual é submetido. Os clichês aparecem aos montes: um flashback reacende uma força invencível, um antigo mestre retorna para testar o pupilo, um vilão vem com aquele lero-lero de "nada importa de verdade". É um grande balde de banalidade, que nós jogadores vimos à exaustão enquanto assistíamos "Dragon Ball" ou "Cavaleiros do Zodíaco", mas há algum aspecto mágico em ver este discurso superficial sendo transportado para um videogame como "Asura`s Wrath": enquanto muitos jogos simplesmente caem nos clichês por falta de boas narrativas, a CyberConnect2 parece ter abraçado de corpo e alma o ridículo. O resultado são longas cenas que não têm vergonha de soar como animes dos anos 70, com a diferença notável de serem todas jogáveis.

Divulgação/CapcomNesta cena de batalha no espaço, o jogador deve participar de um seção no estilo "Star Fox"

A bem da verdade, é preciso reconhecer desde já que este não será um jogo para qualquer um. Dos testes que fizemos aqui na redação do POP Games, houve mais desapontamentos que satisfações, em especial daqueles que disseram que "o jogo se joga sozinho e você dá uma ajudinha". Do ponto de vista imediato, isto é verdade. Há muito menos interação em "Asura`s Wrath" que em qualquer jogo de aventura no mercado. Isso acontece, porém, como parte da proposta do jogo, que tenta oferecer às pessoas na sala - jogador e expectador - a mesma experiência de estar assistindo um episódio de uma série. Como experiência, a CyberConnect2 inova em muitas áreas, ainda que o resultado seja polêmico em sua bagunça de socos, explosões e saltos quilométricos.

Em geral, "Asura`s Wrath" vem como uma tentativa da Capcom de reviver aquele velho fã de animes que existe dentro de nós gamers. Usando muitos socos, sangue, suor, lágrimas e cenas que extrapolam o absurdo, ele será prato cheio tanto para os que se apaixonarem pelo seu formato quanto para os que odiarem a propotência de sua proposta. O jogo está marcado para sair no dia 21 de fevereiro por aqui, tanto para Xbox 360 quanto para PlayStation 3, e custará os 60 dólares de sempre.

Da Redação

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