Logo POP

games

  /  

reviews

21/03/2011 - 14:28h

Review: "Gemini Rue"

Game homenageia o espírito noventista do point and click

Divulgação"Gemini Rue" emula com perfeição jogos clássicos dos anos 90

"Gemini Rue" é um clássico instantâneo pelo simples fato de beber da fonte de inspiração de games noventistas, como "Full Throttle", "The Dig", "Indiana Jones and the Fate Of Atlantis", entre outros. Todos os títulos citados são coincidentemente trabalhos da LucasArts, uma das produtoras mais famosas desse cenário "adventure point and click" da década de 90. O jogo, além de seguir uma linha fiel do gênero, traz também o mesmo estilo visual da época, muito parecido com a estética da prórpria LucasArts. Os cenários – feitos todos à mão – e a disposição das cenas na história emulam uma verdadeira viagem no tempo. Nostalgia arrasadora, que resultou no prêmio de melhor jogo desenvolvido por estudantes no Festival Internacional de Jogos Independentes.  

Claramente que, diante de um grande público que impõe rigorosos padrões de qualidade (estéticos e visuais) para seus produtos de consumo,  "Gemini Rue" se torna então uma espécie de game indie/cult/retrô de primeira qualidade, destinado a uma comunidade de gamers bem específica e segmentada. Mas mesmo assim, sem muitas pressões, o game se importa em inovar dentro desse contexto teoricamente esquecido, criando, por exemplo, efeitos de chuva fantásticos.

DivulgaçãoA chuva não para nunca no planeta Barracus. O estilo noir é dominante

Sua temática é, incrivelmente, o ponto mais criativo de todo o trabalho. A proposta é realizar uma mistura inusitada de suspense noir com ficção científica, que lembra o feeling de "THX 1138" (George Lucas novamente). Passeando pela mente de assassinos arrependidos, prisioneiros lobotomizados e viagens interplanetárias, a história consegue prender sua atenção de uma forma mais que eficaz.

Tudo começa com Azriel Odin no sempre chuvoso planeta Barracus. Ele está em uma busca incansável e precisará da ajuda de alguns antigos parceiros de crime para realizá-la. Paralelamente, em outro lado da galáxia, o prisioneiro Delta-Six passa por maus bocados em uma espécie de hospital de segurança máxima. Devido às suas diversas tentativas de fuga, sua mente é constantemente apagada para evitar novas escapadas. A função do estabelecimento é supostamente reformá-lo como cidadão, o preparando para a vida em sociedade. Claramente, tudo isso é muito, mas muito suspeito mesmo – e os métodos são extremamente desumanos.

DivulgaçãoTer a mente apagada com certeza mexe com os nervos de uma pessoa

A jogabilidade é perfeita. A criatividade e a atenção que os desenvolvedores tiveram com o jogo foi muito grande, buscando sempre uma aproximação máxima dos games antecessores do point and click. Os puzzles são, em sua maioria, resumidos em cenários sem saída, onde sua percepção de detalhes é o ponto fundamental. Por muitas vezes você precisa visitar quase todos os ambientes acessíveis em busca de pistas, que normalmente são elementos que passam despercebidos.

Para investigar os cenários você tem muitas opções: mão (pegar, bater, etc), pé (chutar), olho (ler, descrever o local ou objeto) e boca (falar), além de outros apetrechos como um revólver, uma espécie de grampo para arrombar portas e um celular muito útil, em que você guarda notas, nomes e endereços. Você também pode fazer ligações e pedir informações ou a assistência de seus comparsas. Um fato engraçado é que quando você tenta clicar "boca" com outra coisa, como uma lata de lixo, ouvirá frases do tipo "Eu nunca vou colocar minha boca nisso" ou "Eu não estou tão desesperado", dando um cutucão no jogador fanfarrão.

DivulgaçãoÉ preciso paciência e muita atenção com os cenários, pois as pistas passam despercebidas

Além da jogabilidade intensamente inspirada, a equipe do game teve tempo de criar uma homenagem aos tempos modernos, inserindo um sistema de cobertura bastante funcional. Depois do personagem se posicionar na cobertura, você controla seus movimentos com o D (para sair da cobertura e atirar) e A (voltar para cobertura). Os tiros são efetuados com a tecla de "espaço" e, para recarregar, a letra R. Existe ainda um sistema de headshot, em que uma espécie de medidor de ar é acionado com o Ctrl, fazendo subir o marcador e acionar o tiro certeiro quando ele atinge o nível verde, mas não é tão fácil.

O sistema de autosave parece propositalmente feito para irritar. Diversos momentos do jogo são de vida ou morte, mas não adianta, você sempre morrerá na primeira. O problema é que o autosave muitas vezes lhe joga bem longe da cena em questão, obrigando muita movimentação exaustiva. A dica é salvar você mesmo no limiar da cena de perigo e depois apenas dar um load game. Fica mais rápido e prático. Outro elemento inovador do jogo é a possibilidade de alternar (em determinado ponto da trama) entre as histórias de Odin e Delta-Six, tudo em tempo real, clicando em uma janela no alto da tela.

DivulgaçãoReferência inteligente: sistema de cobertura em um jogo de estilo clássico

DivulgaçãoA morada de Delta Six não é das mais agradáveis.

"Gemini Rue" é uma ode noventista aos clássicos point and click. Com um excelente trabalho vocal dos dubladores, o game prende sua atenção do começo ao fim. Vale a pena dar uma pausa em meio aos jogos de tiro e ação para curtir uma aventura ao melhor estilo old school. 

Plataforma: PC

Produção: Wadjet Eye Games

Desenvolvimento: Wadjet Eye Games 

Gráficos: 9,5

Som: 8,5

Jogabilidade: 10

Diversão: 9,5

Replay: 8,0

NOTA FINAL: 9,5

Da Redação



Twitter POP Games

POP