Parece pouco realista imaginar uma guerra em que o todo poderoso Estados Unidos não tem aliados e sofre uma invasão da arrasadora Grande República da Coreia (nação que resulta da união entre as Coreias do Sul, Norte e ainda o Japão), tendo seu território praticamente sitiado, seus rios poluídos e boa parte da população dizimada com requintes de crueldade. Apesar de improvável, esse cenário não deixa de ser criativo, servindo de pano de fundo para "Homefront", jogo desenvolvido pelo KAOS Studios (que tem em seu currículo o funcional "Frontlines: Fuel of War") e produzido pela famosa THQ. A trama inusitada foi composta pelo célebre John Milius, a mente criativa por trás da obra prima "Apocalypse Now".
O ano é 2027 e você personifica um ex-piloto de helicópteros que não tem muitas alternativas a não ser se unir à resistência intitulada "Voice of Freedom", que se resume basicamente em civis militarizados de armas nas mãos e intenções patriotas.
Um dos principais trunfos que levou a Grande República da Coreia rumo à dominação estrangeira foi o controle de um poderoso EMP (pulso eletromagnético) que abalou o fornecimento de energia dos EUA. Debilitada, a resistência precisa então de meios para lutar contra seus inimigos, ou seja, conseguir armas, combustível, realizar infiltrações em territórios dominados, retomadas de posições estratégicas e por aí vai. É claro que em todo cenário de caos total sempre existe aquele grupo típico de americanos malucos que fazem "injustiças" com as próprias mãos. Entre outras palavras, eles perdem sua humanidade juntamente com sua "aparente" liberdade, se tornando também potenciais inimigos.
O ponto alto de "Homefront" é com certeza seu conceito diferenciado e a atenção total na produção de suas cenas e sequências. Chama muito a atenção a riqueza de detalhes dos acampamentos da resistência, suas barricadas armadas ou mesmo instalações inimigas. A parte gráfica funciona de forma excepcional por utilizar um cell shade suavizado e muito bonito. Os cenários de combate sempre nos lembram que estamos mesmo em um grande quintal, em uma vizinhança, em um estádio de futebol americano, no estacionamento de um hiper-mercado. Em alguns momentos, jogar é apenas um complemento, como em certa cena em que acontece uma explosão enorme e você simplesmente precisa andar em meio ao fogo e aos soldados inimigos que gritam de dor enquanto queimam. É de tirar o fôlego. No total, são sete capítulos: "Why We Fight", "Freedom", "Fire Sale", "The Wall", "Heartland", "Over Watch" e a missão final bem elaborada (tirando o desfecho desapontador e completamente aberto) na ponte "Golden Gate".
A jogabilidade é afiada e quem está acostumado a um bom FPS se sentirá satisfeito com o mecanismo de combate de "Homefront". Existem apenas alguns detalhes que se diferenciam dos outros – como o fato do personagem correr e correr e não se cansar nunca, ou a excelente mira que trava no zoom (não precisando segurar um botão) – mas sentimos falta das shotguns. Devido a esse sistema eficiente, o multiplayer se torna mais atraente, sendo vasto e por contar com 32 jogadores, veículos terrestres e aéreos, além de servidores dedicados para PC, Xbox 360 e PS3.
A campanha singleplayer é extremamente curta, o que decepciona bastante (durando cerca de 4 ou 5 horas). Toda a estruturação das missões segue a cartilha "Call of Duty" de ser, demonstrando, pelo menos nesse quesito, muita falta de personalidade.
Temos o estilo de missão hardcore: com muitos inimigos caindo em cima de sua cabeça. A inteligência artificial do jogo é difícil de encarar e não perdoa mesmo, se movimentando de forma estratégica, flanqueando sua equipe e mandando granadas e chuvas de balas sem dó nem piedade.
Missão sniper: algumas das melhores sequências de cenas são dessas missões, sempre mais tranquilas e satisfatórias no aspecto "matança".
Missão stealth: que não chega a ser péssima, mas se mostra bastante irreal, pois o personagem e sua equipe praticamente caminham ao lado dos inimigos sem serem notados. Sem muita graça e propósito.
Controle de Goliath, helicópteros e metrancas: no início da campanha, um grande tanque extremamente poderoso chamado Goliath lhes acompanha, sendo controlado remotamente. Você precisa então seguir a rotina de marcar os alvos para que ele os destrua. Temos também a pilotagem de um helicóptero que, apesar de flutuante demais, é interessante (boa construção da missão). Depois vem a típica fase em que você comanda um bombardeio teleguiado (com os inimigos destacados em branco) e por fim as metralhadoras montadas, em que você só senta e mete bala (elemento praticamente obrigatório em todo o FPS atual).
Outro problema constante é a falta de fluidez do jogo. Com certeza já é meio chato seguir toda hora um caminho traçado por seus companheiros de equipe (isso já deu), agora não conseguir avançar por que um deles ficou para trás, ou não subiu as escadas, é atraso de vida.
Como podemos perceber, "Homefront" segue uma cartilha meio batida na construção de fases. Mesmo com todos os clichês, consegue divertir, mas não inovar. Com algumas sequências memoráveis, o jogo alcança, apesar de suas falhas, um resultado satisfatório. Traz um ótimo sistema de combate e um conceito forte e criativo, muito bem trabalhado por seus desenvolvedores, que só precisam ser mais ousados na hora de elaborar as missões.
Analisando a questão custo x benefício, o game não se torna a melhor opção do momento. Quem sabe na continuação da história eles não acertam o alvo em cheio?
Plataforma: PC, Xbox 360, PS3
Produção: THQ
Desenvolvimento: KAOS Studios
Gráficos: 8,0
Som: 7,0
Jogabilidade: 7,0
Diversão: 7,5
Replay: 6,0
NOTA FINAL: 7,0
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