A franquia “Assassins Creed”, produzida e desenvolvida pela Ubisoft Montreal, se tornou nos últimos anos sinônimo de qualidade gráfica e jogabilidade apurada. Com o spin-off “Assassin’s Creed Brotherhood”, podemos perceber que, relativamente, pouca coisa mudou, mas mesmo assim os atributos se apresentam acima da média.
No Brasil, a versão para PC do game foi lançada no final de março pela distribuidora Incomp. Confira abaixo nossa análise completa exclusiva desta versão do game:
Furtividade épica
A trama de “Brotherhood” continua exatamente do ponto onde se finalizou “Assassin’s Creed II”, trazendo novamente Desmond Miles na incansável viagem por sua memória genética, realizada no intuito de buscar informações de seus ancestrais e da Maçã do Éden. Depois de reviver as memórias de Altaïr Ibn La-Ahad (primeiro game), Desmond ressurge como Ezio Auditore da Firenze, um nobre da renascença italiana que luta contra o papado dos Borgia. Dessa vez o inimigo é Cesare Borgia, irmão de Rodrigo (Papa vilão de “AC II”). Ele tomou posse da Maçã do Éden, e com este poder coloca a cidade de Roma sob seu reinado. A missão de Ezio então é destituir Cesare (e consequentemente os Borgia), trazer paz à cidade de Roma e recuperar o artefato mágico.
Mesmo mantendo a tradição de incluir personagens históricos na trama, como Maquiavel, Leonardo da Vinci e os Borgia, o roteiro não se compara com os dos jogos anteriores e a história perde muito em intensidade, sem reviravoltas e nem surpresas. É de longe a trama mais simplista da série.
O grande diferencial por sua vez é Roma, que oferece novas possibilidades mais que interessantes. Considerada por historiadores como uma das melhores reproduções digitais do local histórico, a beleza e a qualidade gráfica da cidade do game chamam a atenção. Sendo basicamente o único palco do jogo, o amplo universo aberto precisa ser renovado, e para isso o jogador tem como missão restituir diversos estabelecimentos como ferrarias, estábulos, lojas de arte, de roupas, dutos de esgoto (que são utilizados como atalhos) e até mesmo monumentos históricos como o Coliseu. Todo local renovado gera renda (que pode ser retirada a qualquer momento no banco mais próximo) e oferece diversas opções de compras como roupas, armas, mapas de tesouros e colecionáveis.
O mapa é divido em quatro áreas, que por sua vez são divididas em 12 distritos. Cada um desses distritos está sob influência Borgia, com seus QGs e torres simbólicas prontas para serem destruídas e incendiadas. As reformas só poderão ser feitas depois de você eliminar este domínio da região, ato realizado com muito prazer, pois acredite: planejar sua invasão a estes territórios Borgia é sem dúvida um dos melhores momentos. Podemos então perceber que a liberdade de “Assassin’s Creed Brotherhood” supera a de todos os outros jogos da série. O sentimento de realização é forte e a administração da cidade é recompensada de forma excepcional. Apesar de a história não possuir um apelo tão contundente, fica em suas mãos navegar por Roma e fazer dela seu playground.
Perto da metade do jogo somos então apresentados a irmandade de assassinos, cujo título se inspira. Ezio começa a alistar jovens oprimidos pelos soldados de Cesare, os transformando em seus matadores particulares. Você controla seus pupilos por pombais distribuídos pelo mapa, se tornando assim um verdadeiro mercador da morte, coordenando e administrando diversos assassinatos por toda Europa. As missões são dispostas apresentando local, objetivo - como, por exemplo: “Silenciar o Padre”, em Veneza -, o tempo de realização, o lucro da encomenda e os pontos de experiência adquiridos, que são utilizados para aprimorar os atributos de seus dedicados funcionários. Durante a jogatina, as informações de seus assassinos surgem na tela, avisando que uma específica missão foi bem sucedida. Além disso, você pode optar por manter seus aliados ociosos, a espera de um chamado seu. Uma barra (de três setas), localizada abaixo de seu life, apresenta quantos assassinos estão disponíveis, e, após a investida ordenada, é preciso esperar a barra encher novamente para solicitar um novo ataque. Uma excelente opção em momentos de aperto em que você precisa se tornar anônimo rapidamente.
Fora as missões lineares, que revelam a história, temos ainda infindáveis missões extras (side-quests), sendo que as melhores (e extremamente recomendadas) são as de destruição das armas de Da Vinci. Cesare obrigou o melhor amigo de Ezio a construir diversas armas de guerra, como tanques, barcos e até mesmo planadores que atiram balas de canhão. A dificuldade dessas missões é elevada e as mesmas oferecem elementos de jogabilidade totalmente novos para a franquia, como o controle de armas de tiro no melhor estilo “perseguir, mirar, atirar e se divertir”. Destruindo todos estes alvos você ganha de seu amigo Leonardo um presentinho muito útil.
Um dos pontos de maior destaque deste novo título é seu modo multiplayer, repaginado e totalmente funcional. O game online se resume basicamente em uma caça de gato e rato, ou melhor, gato e gato. Em meio à cidade, repleta de figurantes, você precisa identificar e assassinar seu alvo, sendo que ao mesmo tempo estão fazendo isso com você. Para facilitar sua vida, uma barra, localizada na frente do personagem, sonda e canaliza a posição de seu adversário, que por vezes pode te enganar misturando-se aos cidadãos. Estão disponíveis quatro modos: “Wanted” e “Advanced Wanted”, que podem ser descritos resumidamente como “cada um por si”, “Alliance”, que permite a formação de duplas e “Manhunt”, que forma equipes. Os pontos conquistados possibilitam que você aprimore o perfil de seu personagem, adquirindo disfarces e power ups.
“Assassins Creed: Brotherhood” continua com estilo a história de Desmond. A pegada parkour stealth da série se mostra afiada como nunca, trazendo ainda alguns elementos novos para as peripécias gatunas do protagonista. O combate está mais fluido, oferecendo execuções extremamente violentas e cinematográficas (cada arma possui a sua), a história é básica, mas suas missões não deixam de ser muito bem elaborada, a trilha sonora é clássica e alicerçada principalmente por instrumentos de corda, realmente incrível. Mas os grandes trunfos do título são com certeza seus belíssimos cenários, toda a liberdade oferecida ao jogador, e os novos elementos (como a gangue de assassinos) que com certeza estarão presentes nas edições posteriores. Dessa vez o final da história é arrasador e lhe permite manusear uma arma, digamos, divina. Com certeza todos ficarão ansiosos para saber o acontecerá no próximo capítulo da saga.
Plataforma: PC
Produção: Ubisoft
Desenvolvimento: Ubisoft Montreal
Distribuição: Incomp
Jogadores: 1-2
Gráficos: 9,0
Som: 9,0
Jogabilidade: 8,5
Diversão: 8,5
Replay: 9,0
NOTA FINAL: 8,5
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