Por Zhou Xin
CABUL (Reuters) - Um pai procura desesperadamente por seu filho, enviado numa missão suicida. Depois de perder tudo ele termina nas ruas poeirentas de Cabul, sem-teto e enlouquecido.
A tragédia pode parecer algo comum no Afeganistão em guerra, mas desta vez, felizmente, a história de Yacoub não é verdadeira.
Em lugar disso, faz parte de um dos 50 filmes exibidos no primeiro Festival de Cinema de Direitos Humanos do Outono. O evento proporciona um palco centro-asiático para diretores do Afeganistão e outros países que tratam de questões ligadas aos direitos humanos.
"Este festival de cinema é especial quando comparado a outros aos quais já assisti, pelo fato de ser sobre direitos humanos," disse Homayun Morowat, nascido em Cabul e diretor do filme sobre Yacoub, "An Apple from Paradise."
O festival acontece no décimo aniversário do início da campanha militar dos EUA no Afeganistão, um momento em que as conquistas e os avanços dos últimos dez anos na área dos direitos humanos estão no centro das atenções.
A Anistia Internacional disse na quarta-feira que o governo afegão e seus apoiadores internacionais descumpriram muitas das promessas que fizeram ao povo afegão com relação a direitos humanos.
Mas a liberdade de imprensa ainda é maior no Afeganistão que em quase todos os países que o cercam, segundo o índice de Liberdade de Imprensa compilado pela organização Repórteres Sem Fronteiras, fazendo da capital afegã a escolha lógica para sediar o festival de cinema centro-asiático.
Os organizadores disseram que o festival foi planejado durante anos e que as datas foram escolhidas por razões práticas, não políticas.
Malek Shaf'ii, executivo-chefe do Cineclube do Afeganistão, disse que o tema dos direitos humanos foi escolhido porque mais de 90 por cento dos filmes e documentários feitos por cineastas afegãos independentes tratam de problemas de direitos humanos.
"Os problemas de direitos humanos são um dos maiores desafios do Afeganistão," disse Shaf'ii à Reuters no fortemente vigiado Instituto Cultural Francês, no centro de Cabul, onde muitos dos filmes foram exibidos.
O Afeganistão enfrenta pobreza aguda e três décadas de guerra, que já mataram milhares de civis e mutilaram ou traumatizaram outras dezenas de milhares. Há também restrições rígidas impostas às mulheres, cujos direitos são tradicionalmente limitados.
"O primeiro passo que podemos dar para melhorar os direitos humanos é informar as pessoas dos problemas, e estamos fazendo isso para criar um vínculo entre cineastas e o público," disse um porta-voz do festival, Hassan Zakizadeh.
O festival de cinema, que inclui 32 filmes afegãos e 18 de outros países, dura sete dias, com sessões em um cinema do centro e um auditório do Centro Cultural Francês.
(Reportagem adicional de Martin Petty e Omar Sobhan)
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