Por Iain Blair
LOS ANGELES (Reuters) - Já se passaram 60 anos desde que o suspense "O Monstro do Ártico" chegou aos cinemas, no auge da paranoia da Guerra Fria, e metade desse tempo desde que os temas desse filme foram revisitados por John Carpenter em "O Enigma de Outro Mundo", cujo título original era "The Thing".
Na sexta-feira, um novo "The Thing" chegará aos cinemas dos Estados Unidos, mais esfomeado que nunca, e está sendo descrito como a história que antecede o filme de John Carpenter, um estudo sobre o medo, centrada em um alien de outro mundo que é descoberto por cientistas na Antártida.
O diretor holandês Matthijs van Heijningen faz sua estreia em longas-metragens com o novo filme, em que Mary Elizabeth Winstead ("Scott Pilgrim contra o Mundo") é a paleontóloga Kate Lloyd, contratada para participar de uma expedição científica misteriosa e que acaba combatendo o alien.
O australiano Joel Edgerton ("Reino Animal") faz um veterano piloto de helicóptero que leva passageiros à remota base na Antártida onde uma equipe de cientistas da Noruega topou com o alien e sua nave espacial enterrada no gelo.
Van Heijningen disse que é fã dos dois filmes "Thing" anteriores, mas que vê sua versão como sendo "muito logicamente relacionada aos acontecimentos do filme de Carpenter". Mas o novo filme exibe uma sensibilidade própria de 2011, com seu elenco internacional e personagem feminina que lidera o ataque para matar o alien.
"Cercada por homens mais velhos e isolada nessa base, talvez ela se sinta pouco à vontade, um pouco pária. Minha referência, quando visualizei a personagem, foi Jane Goodall, que, para mim, foi o paradigma de cientista mulher", disse Van Heijningen.
O diretor citou como inspiração a famosa antropóloga britânica (cuja história inspirou o filme "A Montanha dos Gorilas"), mas a personagem de "The Thing", Kate Lloyd, parece ter mais semelhanças com Ripley, de "Alien", a mulher representada por Sigourney Weaver que combate um ser alienígena no filme de 1979.
"Ela é muito inteligente, mas é jovem e inexperiente. Ela é convidada para participar dessa expedição porque os cientistas homens acham que podem controlá-la facilmente", disse Winstead, falando de seu personagem.
"Mas, quando as coisas muito ruins começam a acontecer, é ela quem começa a se afirmar e a entender o que eles precisam fazer para sobreviver. Não os homens."
Os melhores filmes de horror são ao mesmo atemporais e muito relacionados à sua época. "O Monstro do Ártico" (1951) é visto como reflexo da paranoia da América com o comunismo, e "O Enigma de Outro Mundo" (1982), de Carpenter, já foi visto como parábola sobre os horrores da Aids.
O novo "The Thing" pode ser visto como uma reflexão sobre a ameaça atual criada pela guerra global ao terror, disseram seus criadores, mas Van Heijningen se apressou a acrescentar que não se propôs a fazer um comentário sobre os tempos atuais.
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