Por Esteban Israel
SÃO PAULO (Reuters) - A mexicana Cinépolis, a quarta cadeia de cinemas do mundo, acelerou em 2011 sua expansão no Brasil, atraída pela classe média crescente e pelo baixo número de salas por habitante na maior economia da América Latina, disse o presidente da empresa nesta quarta-feira.
Dois anos depois de desembarcar no Brasil, a Cinépolis se consolidou como a quarta cadeia de cinemas do país. A empresa mexicana prevê investir 500 milhões de reais em uma rede de 500 salas até 2015.
"O Brasil é um vetor de crescimento, um canal onde vamos crescer muito", disse o presidente da Cinépolis do Brasil, Eduardo Acuña, em entrevista à Reuters.
"Esperávamos fechar 2011 com 90 salas e vamos fechar com 120. Estamos muito acima do esperado graças, em parte, à compra em setembro da cadeia Box Cinemas (do grupo espanhol CineBox), com a qual duplicamos nosso tamanho", acrescentou.
Segundo o Ibope Inteligência, os brasileiros gastaram até 1,76 bilhão de reais no cinema em 2011.
Isso, somado ao baixo número de salas por habitante, faz com que o país seja um terreno relativamente virgem para a empresa mexicana, a maior cadeia de cinemas fora dos Estados Unidos.
"O Brasil tem quase o dobro da população do México e menos da metade das salas de cinema", afirmou Acuña. "Aqui há oportunidade de construir pelo menos mais 6.000 salas."
Mais de 90 por cento do 1 bilhão de dólares em vendas anuais da Cinépolis está concentrado no México. Mas a empresa pretende que suas operações no Brasil e na Índia - seu outro grande mercado internacional -- e outros países da América Latina representem 20 por cento das vendas globais em 2015.
"Em 2012 eu espero que o Brasil represente mais ou menos 5 por cento das vendas globais. E em 2015, ao menos 10 a 12 por cento", disse o presidente da Cinépolis do Brasil.
A experiência da empresa ilustra as oportunidades e desafios do Brasil para as empresas estrangeiras.
"Em exibição de filmes, o Brasil acumula dois anos de mais de 20 por cento de crescimento, enquanto o restante do mundo tem dois anos de mais de 5 por cento de perda", afirmou o executivo.
Mas o outro lado da moeda, explicou ele, são os custos elevados para se montar um negócio no Brasil, associados com a valorização do real, a burocracia e o sistema fiscal complexo.
"Financeiramente, tudo no Brasil é muito caro. Um cinema no Brasil nos custa mais ou menos 80 por cento a mais que no México (...) e o retorno não é tão rápido", disse ele.
"Mas vale a pena, porque o México está ficando saturado. O México já não tem espaço para abrir mais cinemas. Ou você deixa de crescer e morre, ou vai à procura de outros mercados. E dentro dos mercados existentes, o Brasil é a melhor oportunidade que temos", acrescentou. )
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