POP
Cinema
RSSMundo POP
08/12/2011 - 08:18h

História real inspira "O Último Dançarino de Mao"

SÃO PAULO (Reuters) - Prêmio de público na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo há dois anos, "O Último Dançarino de Mao", do australiano Bruce Beresford ("Conduzindo Miss Daisy"), tem seu drama bem plantado em raízes verídicas. O roteiro adapta a biografia do bailarino chinês Li Cunxin, cuja história pessoal foi atravessada pelos altos e baixos da Revolução Cultural. O filme estreia em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O próprio Li Cunxin aprovou seu intérprete na tela, o bailarino Chi Cao, que o encarna na fase adulta. Cao, aliás, é filho de dois professores do personagem real na Academia de Balé de Pequim.

Criança, Li (nesta fase interpretado por Wen Bin Huang) vive com os pais camponeses. Até o dia em que sua aldeia é visitada por representantes do governo, recrutando candidatos para treinamento artístico e atlético. O menino é escolhido para estudar dança em Pequim, forçando uma separação da família, juntamente com diversas outras crianças da sua e de outras aldeias. Ainda que emocionalmente divididos, os pais viam aí uma oportunidade de um futuro melhor para os filhos.

Em Pequim, Li esquece a infância em favor de um treinamento intensivo, não raro doloroso. A ideologia penetra todas as instâncias da vida do garoto, já que os temas dos espetáculos de balé são todos dirigidos para o enaltecimento dos valores da revolução comunista.

Uma visita do presidente Richard Nixon à China, em 1972, dá início a um processo de aproximação com os EUA. A partir daí, começa a ocorrer um intercâmbio maior entre os dois países, inclusive de artistas, que mudará a vida de Li Cunxin.

O diretor do balé de Houston, Ben Stevenson (Bruce Greenwood), impressiona-se pelo talento do bailarino chinês, que é convidado para uma temporada no Texas. Lá, ele descobre uma realidade inteiramente diferente da de seu país.

O choque cultural e a paixão pela bailarina Elizabeth (Amanda Schull) amadurecem em Li a intenção de ficar nos EUA - uma decisão que provoca um incidente diplomático e acarreta uma sequência de acontecimentos dramáticos.

Se o filme de Beresford incide num certo maniqueísmo simplificador ao retratar a situação política e fica devendo aprofundamento dramático de diversos personagens e situações, certamente não economiza ao proporcionar o encantamento de diversas sequências de dança.

(Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

Comente

Resenhas

POP