Pobre DiCaprio...
Todo ano a Academia de Artes Cinematográficas aponta seus indicados e todo ano uma série de filmes fica de fora. Em geral, muitos filmes que o público acha mais interessante do que os que foram selecionados (basta comparar as bilheterias). Em 2012 não foi diferente.
A primeira grande injustiça, é, na verdade, uma contradição. A academia não pode eleger “As Aventuras de Tintim” como melhor animação por não considerar a técnica de captura de movimentos como tal. E, bem, há uma certa dose de maturidade nisso. Por outro lado, essa mesma maturidade poderia ter servido para que eles abraçassem a técnica de captura como uma forma de atuação legítima e dessem a indicação para Andy Serkis, pelo seu Caeser de “O Planeta dos Macacos - A Origem”. Dava para deixar Jonah Hill de fora sem grandes prejuízos, ele é um ator jovem e com grande potencial. Serkis já vem sendo negligenciado desde o primeiro “O Senhor dos Anéis”, quando interpretou Gollum.
Andy Serkis: de longe, o melhor ator do ano
Ainda no campo atuação, Leonardo DiCaprio segue mais um ano sem indicações. E se nem em uma biografia de uma figura controversa como J. Edgar Hoover, fundador e diretor do FBI, supostamente homossexual, dirigido por Clint Eastwood, ele consegue uma indicação, suas perspectivas futuras são meio complicadas, não? E é difícil imaginar que ele ainda esteja sob o estigma do galã adolescente, considerando que já há muitos anos ele entrega bons trabalhos.
O mesmo se pode dizer de Ryan Gosling, excelente em “Tudo Pelo Poder” e “Drive”, e Tilda Swinton, por “Precisamos Falar Sobre Kevin”. Nesses casos, porém, fica mais difícil retirar algum dos indicados para encaixar Gosling ou Swinton. Exceto, talvez, Demián Bichir, indicado por “A Better Life”. Mas, claro, há uma certa comoção e felicidade coletivas por Brad Pitt ter sido, finalmente, indicado como melhor ator.
Gosling em "Drive"
Os brasileiros seguem injustiçados. Nem mesmo o aclamado “Tropa de Elite 2” conseguiu uma indicação, o que já ficaria de bom tamanho, já que o mais forte concorrente para melhor filme estranjeiro, salvo zebra, é o belo iraniano “A Separação”. Mas não ter uma indicação para o “Rio”, de Carlos Saldanha, como melhor animação, talvez tenha sido o golpe mais duro. E aqui não há a desculpa da ‘captura de movimentos’. A ausência de “Rio” e a presença de “O Gato de Botas” é estranha demais para ser ignorada. Fora que a única indicação do filme é como Melhor Canção Original, “Real in Rio”.
Imagina o Carlinhos Brown trazendo o primeiro Oscar para o Brasil?
Luiz Gustavo Vilela
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