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19/02/2012 - 16:00h

Especial: saiba por que não devemos nos preocupar com o Oscar

Reprodução"Shakespeare Apaixonado" ganhou um oscar. Seus argumentos são inválidos!

É fato que o Oscar (nome íntimo para o prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas) é o maior evento para o mundo do cinema. Não só maior como as mais de 80 edições já tornaram ele também o mais tradicional. O que não quer dizer que seja a premiação mais justa do cinema.

A questão é que nenhuma premiação cinematográfica (ou artística, vá lá) é justa simplesmente pela natureza subjetiva da escolha. Uma atuação, filme, imagem não comove a todos da mesma forma. Como, pelo simples motivo de o cinema lidar com as nossas emoções (entre outras coisas), acabamos nos tornando extremamente passionais em relação a esses filmes, sempre temos aquela indignação manisfestada esbravejando: “como assim o Leonardo Di Caprio não foi indicado por ‘J. Edgar’?”.

Divulgação"Eu estou implorando por um Oscar aqui"



Daí que o Oscar é um prêmio que é historicamente injusto. Gente como Stanley Kubrick, considerado por muitos o maior cineasta de todos os tempos, nunca ganhou uma única estatueta. Outro mestre, Alfred Hitchcock, apenas um pelo conjunto da obra e outro para melhor filme (“Rebbeca”, que nem é um dos grandes clássicos), mas nunca considerado Melhor Diretor. Isso para não falar de Orson Welles com seu “Cidadão Kane” (mas aí entra a coisa da campanha difamatória do pseudo-biografado pelo filme, que se sentiu denegrido).

Divulgação"Oscar? Rá!"



Falando em filmes, as injustiças clássicas são sempre “Laranja Mecânica”, de Kubrick novamente, que perdeu para “Operação França”, que é bom, mas nem tanto, e “Taxi Driver”, que perdeu para “Rocky, um Lutador”, que é bom, mas não era para tanto. E, claro, a edição de 1999 em que o engraçadinho “Shakespeare Apaixonado” bateu “O Resgate do Soldado Ryan”. Além de, claro, o ano passado em que venceu “O Discurso do Rei”, que é bacana mas apenas correto, em detrimento de filmes como “A Rede Social” (uma aula de roteiro), “Toy Story 3” (que fez muito marmanjo chorar) ou “Bravura Indômita (belíssimo filme dos irmãos Coen).

ReproduçãoAposto que você nem lembra mais desse filme



Além disso, a Academia tem um irritante hábito de corrigir injustiças do passado, fazendo novas injustiças. Um exemplo foi a vitória de Russell Crowe por “Gladiador”. Boa atuação, mas não tão boa quanto a de “O Informante”, pelo qual havia sido indicado no ano anterior, mas perdeu para Kevin Spacey, realmente merecedor por “Beleza Americana”. O problema foi que, para dar o prêmio para ele no ano seguinte, quem acabou sendo prejudicado foi Javier Bardem e Ed Harris, que estavam incríveis em “Antes do Anoitecer” e “Pollock”, respectivamente. O mesmo aconteceu no ano seguinte, quando quem levou foi Denzel Washington por “Dia de Treinamento”, sendo que seu grande trabalho havia sido “Hurricane”.

Todas essas injustiças não irão se corrigir pela própria natureza da premiação: o voto, que é subjetivo até não poder mais. Como os filmes, atores e diretores mais célebres, que realmente entrarão para a história do cinema, podem ou não ser premiados, o negócio é aproveitar a festa e se divertir com as piadas do Billy Crystal.

Luiz Gustavo Vilela

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