Se merecimento pela carreira valer, o careca seria de Oldman
Não é incomum que a disputa do Oscar seja relativamente equilibrada. Mas este ano está bem complicado apontar um nome. Especialmente porque muitos dos filmes ainda nem estrearam por aqui. Mas como o exercício de futurologia é necessário em se falando do Oscar, vale a pena pensar como estão as possibilidades, começando pelos coadjuvantes.
Melhor ator coadjuvante
Kenneth Branagh - "Sete Dias com Marilyn"
Jonah Hill - "O Homem que Mudou o Jogo"
Nick Nolte - "Guerreiro"
Christopher Plummer - "Toda Forma de Amor"
Max von Sydow - "Tão Forte e Tão Perto"
Alguém poderia dizer, não sem razão, que este é o ano de Christopher Plummer. Ele já venceu o prêmio do Sindicato dos Atores e o Globo de Ouro nessa mesma categoria, por esse mesmo filme. Deve ser bem complicado que outro ator vença em seu lugar, especialmente pela lógica de compensação do Oscar, já que Plummer jamais ganhou um prêmio e a sua única indicação foi em 2010 por “A Última Estação”, interpretando Leon Tolstoi. Os votantes da academia adoram pensar: “ele é velho e podemos não ter outra chance de premiar um ator tão bom”. Isso, claro, por méritos dele mesmo.
Está meio claro que Jonah Hill não tem muitas chances e está feliz simplesmente com a indicação. O pessoal da academia, pelo mesmo motivo da entrega do prêmio para Plummer, deve pensar algo como: “se ele for bom mesmo, vai continuar sendo indicado e pode vir a ganhar”. O mesmo raciocínio vale para Branagh, que até já foi indicado antes, por “Henry V”, como melhor ator, mas ainda é jovem o suficiente para fazer outras grandes performances.
As ameaças (minimamente) reais à certeza de Plummer são Max von Sydow e Nick Nolte. Especialmente Sydow, que está em sua primeira indicação e é o mais velho da lista. Nolte já foi indicado duas vezes, como Melhor Ator, ainda que não tenha vencido nenhuma. Mas é importante lembrar que, apesar de reais, são ameaças bem relativas. A noite deve ser mesmo de Plummer.
Melhor ator
Demián Bichir - "A Better Life"
George Clooney - "Os Descendentes"
Jean Dujardin - "O Artista"
Gary Oldman - "O Espião Que Sabia Demais"
Brad Pitt - "O Homem que Mudou o Jogo"
Se o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante está inclinado para Christopher Plummer, o de Melhor Ator, por outro lado, não tem definição clara. Se, por exemplo, tomarmos como guia as premiações anteriores, a disputa ficaria entre Jean Dujardin e George Clooney, pendendo para o francês, que ganhou o Sindicato dos Atores e o Globo de Ouro. O problema é que Clooney também ganhou o Globo de Ouro, que separa a premiação entre comédia e drama.
Fora isso, Gary Oldman, dos melhores atores de sua geração, nunca havia sido sequer indicado e está magistral em “O Espião que Sabia Demais”, filme que não estreou a tempo de concorrer aos outros dois prêmios. Por outro lado, Clooney já foi indicado quatro vezes, três como melhor ator (venceu o de coadjuvante por “Syriana”), enquanto Pitt, também na terceira indicação, tem chances pois a Academia pode estar interessada em fazer um de seus famosos acertos de contas.
A verdade é que, fora Demián Bichir, que parece estar ali meio por acaso (era melhor dar a indicação para Leonardo DiCaprio por “J. Edgar”), o prêmio não seria injusto para nenhum dos outros quatro indicados.
Luiz Gustavo Vilela
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