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14/11/2011 - 09:00h

Especial Faith No More: a banda mais imprevisível de todos os tempos

DivulgaçãoEles encerram os shows em Paulínia, no festival SWU

Hoje é o último dia de atrações do Festival SWU, que já contou com nomes como Black Eye Peas, Snoop Dogg e Peter Gabriel. Para fechar com chave de ouro, a banda que sobe ao palco principal e tem a missão de encerrar com classe o evento é o Faith No More. Você pode não saber, mas eles provavelmente são a maior influência musical de bandas da atualidade. Eles foram um dos maiores nomes da década de 90 e enraizaram o rock junto ao espírito de canção desafiadora.

A data oficial de formação da banda é 1982, em São Francisco, na Califórnia. E até o ano de 1998 eles conquistaram espaço, elogios, milhares de fãs e muito reconhecimento. E assim, meio que de repente, a banda resolveu parar. E a parada, que durou 11 anos, serviu para crescimento e desenvolvimento pessoal e profissional de cada integrante. Integrantes estes que no início da banda fizeram um belo revezamento, entra aqui, sai ali, troca-troca, até Courtney Love fez parte um tempo. Aí finalmente acharam o nome responsável por todo o sucesso do Faith No More. Sim, Mike Patton foi e é o cara.

Por causa de uma fita demo, ele foi chamado para fazer parte do Fatih No More semanas antes da gravação do álbum The Real Thing, que foi um divisor de águas na carreira do grupo, com canções bem resolvidas. Este foi o terceiro álbum do FNM, que saiu em 1989. Antes dele vieram "Introduce Yoursefl", de 1987, e "We Care a Lot", em 1985. Completando a discografia veio "Angel Dust", em 1992, "King for a Day... Fool for a Lifetime", em 1995, e "Album of the Year", em 1997.

Veja o clipe de "Epic":

Se fôssemos resumir a banda em uma palavra, poderíamos usar imprevisível. Eles conquistaram plateias com o single "Epic", que arrematou a nona colocação na parada da "Billboard" e teve seu clipe fincado nas telas da MTV americana. O álbum "The Real Thing" então teve 1 milhão de cópias vendidas. O sonho de qualquer banda. Aí você pensa que eles relaxaram e foram curtir a fama? Que nada, os imprevisíveis integrantes se mostraram avessos à fama e proprositalmente, com o objetivo de irritar seus fãs, passaram a preencher o setlist dos shows com muitos covers. Até "Pump Up the Jam", do Technotronic, foi interpretada.

Escute o cover de "Easy":

Mas aí que novamente eles fizeram sucesso mesmo tentando não fazer. Um dos covers, "Easy", da banda Commodores, virou o terceiro single do álbum “Angel Dust”, que não foi muito bem recebido pela crítica quanto ao seu anterior. Porém, as músicas continuavam com um lugar cativo nas rádios de todo o mundo. Durante a turnê de promoção deste álbum, eles fizeram shows por vários países e inclusive participaram de festivais abrindo para outras bandas como Metallica e Guns N’Roses.

Então começou mais uma fase controversa e imprevisível de não-comercialismo sarcástico por parte de Patton e seus colegas de banda. Os fãs que, mesmo com insultos, continuaram a seguir o Faith No More tornaram-se verdadeiros cultuadores da banda. Com a saída do guitarrista Jim Martin, a busca por um músico à sua altura foi prejudicial ao grupo. Eles encaravam os compromissos do FNM como um emprego chato e sem graça, deixando o lado criativo e empolgado. Mike Patton nessa altura do campeonato já lançara um álbum solo feito apenas de efeitos vocais.

Veja o clipe de "Ashes to Ashes":

Dessa forma, a separação da banda era apenas uma questão de tempo. Eles ainda lançaram mais dois discos em meio a tantos conflitos. Nenhum deles fez muito sucesso e uma turnê pela Europa foi cancelada na metade por falta de procura. A sequência dos fatos foi macada pela grande proporção alcançada pelos trabalhos paralelos dos integrantes. Patton entrou de cabeça no avant-garde, lançou outro trabalho solo e elevou o status de adoração do Mr. Bungle com turnês expressivas. O baterista Mike Bordin tocou com Ozzy Osbourne, Roddy Bottum estreou sua banda Imperial Teen.

O último álbum lançado talvez tenha saído apenas por motivos contratuais. "Album of the Year" curiosamente mostra os últimos meses do Faith No More com grande reverência às apresentações ao vivo. Eles realmente têm o dom em cima do palco e passaram a apresentar o que muitos defendem ser os melhores shows da carreira. Mesclando canções novas com hits e material antigo, arrecadaram uma leva impressionante de fãs para os clubes europeus e australianos. 

Veja o clipe de "Falling To Pieces":

Entre as canções de maior sucesso estão "Epic" e "Falling to Pieces" – do disco “The Real Thing” –, "Midlife Crisis" e "Easy", cover do grupo americano The Commodores – ambas do álbum "Angel Dust" –, além de outro sucesso, a canção "Ashes To Ashes" do "Album of the Year". 

Veja um trecho da apresentação no Rock in Rio 2, em 1991:

A relação deles com o Brasil é muito boa. Em 1991 eles tocaram no estádio do Maracanã lotado durante o Rock In Rio 2, apresentação esta que deu o pontapé inicial ao culto à banda nas terras brasileiras. O sucesso foi tão grande que eles retornaram no decorrer daquele ano para uma mini-turnê nacional. E agora eles tocam novamente para uma plateia cheia de saudade e empolgação.

Isabela Fantinato

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