Vai dizer que não dá vontade de dançar igual a eles?
Quentin Tarantino é um diretor genial. Tem gente que ama, tem gente que odeia e tem gente que não entende. Seus filmes são intrínsecos, com histórias por vezes insanas e cheias de personagens doidos e cruéis. Tudo recheado com sangue e drama. Em "Pulp Fiction" não seria diferente. Ele foi considerado um marco do cinema contemporâneo ao lançar um filme que aborda nada menos que a violência, seja gratuita ou não. O roteiro escrito por Quentin em parceria com Roger Avary (diretor do super bom Regras da Atração), conta três histórias diferentes sobre marginais e assaltantes.
E claro que para acompanhar o complexo roteiro, uma trilha sonora tinha de estar à altura. Trilha, inclusive, escolhida por ele próprio, em um verdadeiro garimpo de clássicos e músicas perfeitas para suas cenas. Desde a música de abertura, “Pumpkin And Honey Bunny Misirlou”, dá para sacar que Quentin quis muito mais que montar um simples trilha sonora, cheia de canções aleatórias. No CD, junto com a primeira faixa, vem junto o diálogo de um casal, sentado em um típico restaurante americano, conversando sobre amor e assaltos. Quando um deles levanta com um arma e informa que aquilo realmente era um assalto. E vem a batida meio surf, meio jazz e que ficaria famosa (infelizmente) depois que o Black Eye Peas gravou uma versão.
O interessante de escutar apenas a trilha pelo CD, sem estar assistindo ao filme, é que algumas faixas são apenas diálogos curiosos, caso da faixa dois, que traz Vincent Vega, personagem interpretado por John Travolta, conversando com Jules, na pele de Samuel L. Jackson. Eles poderiam falar sobre mulheres, lutas ou carros. Mas eles discutem sobre o Royale With Cheese, nome dado ao sanduíche Quarteirão na Holanda. E nome da faixa.
E quem não se lembra de Mia Wallace, interpretada pela incrível Uma Thurman, que faz o papel de esposa do chefe de Vincent Vega dançando no restaurante estilo anos 60, em que as mesas são portas e bancos de carros? Depois de tomar milkshakes, fumar alguns cigarros e conversar sobre temas aleatórios, eles aceitam o desafio de um concurso de twist. Ao som de "You Never Can Tell", de Chuck Berry, eles fizeram uma das melhores cenas de todos os tempos. A câmera parece dançar junto com eles.
E para não desanimar, logo na sequência, Mia e Vincent vão para a casa dela, ainda em êxtase pela vitória no concurso, com troféu em punhos, eles continuam a dançar. Prestes a cometer um ato promíscuo, regado à álcool e drogas, Mia chacoalha o esqueleto em "Girl, You`ll Be A Woman Soon", em uma versão cover de Neil Diamond feita por Urge Overkill? Assim que o filme ganhou fama e notoriedade, a trilha foi junto e a esta música estourou em várias rádios.
Também não pode ficar de fora desse texto o funk “Jungle Boogie”, de James Brown, um dos melhores de todos os tempos. A música faz parte da cena em que os bandidos conversam no carro. A faixa número oito é "Zed`s Dead Baby" e casa perfeitamente da sequência do personagem de Bruce Willis, Butch Coolidge. Ele rouba uma moto e foge com sua garota pela estrada, quebrado, cansado e ferrado. A música mostra exatamente o sentimento de dirigir uma moto pela estrada depois de lutas e confusões.
Além de outras boas músicas da trilha sonora, merece destaque o diálogo final em que Jules se converte à Igreja Cristã e recita um trecho da bíblia, Ezequiel 25:17. Ele mata seu alvo com tiros violentos e bem altos na gravação. Se você ainda não assistiu à esse filme, não conte a ninguem, corra até a locadora mais próxima e veja, rápido, antes que seja tarde demais. E aumente o som para curtir a trilha. Vale a pena.
Isabela Fantinato
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