09/07/2008
G8 acena com acordo sobre clima, mas é criticado
Por Yoko Kubota e Chisa Fujioka
TOYAKO, Japão (Reuters) - O G8, grupo dos sete países mais industrializados e a Rússia, acenou com um acordo de combate às mudanças climáticas em uma cúpula concluída na quarta-feira, mas não conseguiu convencer as maiores economias emergentes de que os países ricos se esforçam o suficiente.
O aquecimento da Terra tornou-se o assunto mais polêmico da cúpula do G8 neste ano, realizada no Japão e na qual discutiram-se também outros problemas, entre os quais a crise no Zimbábue, a crescente instabilidade do Afeganistão, a pobreza na África e a disparada dos preços do petróleo e dos alimentos.
"Não houve nenhum grande avanço neste encontro em particular. Apenas demos um passo à frente", disse o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, que participou na quarta-feira de um encontro sobre as mudanças climáticas no qual estiveram presentes o G8 e outros oito dos países mais poluentes do mundo.
"Claro que há ainda um caminho muito longo a percorrer."
Os 16 integrantes do Encontro das Grandes Economias concordaram que é preciso realizar "cortes profundos" na emissão de gases do efeito estufa a fim de combater o aquecimento global, um fenômeno intimamente ligado a uma alta dos preços responsável por prejudicar economias já fragilizadas.
Mas as desavenças entre os países ricos e os mais pobres impediram que a maior parte das economias emergentes aderisse a uma meta de diminuir ao menos pela metade as emissões globais até 2050.
O grupo mais amplo tampouco estipulou números específicos para as metas intermediárias que os países desenvolvidos haviam aceitado assumir.
José Manuel Barroso (presidente da Comissão Européia, braço executivo da União Européia) disse, porém, que falar apenas dos desentendimentos seria um retrato infiel do que ocorreu.
"É um erro ver isso em termos de confrontação entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento", afirmou.
"Claro que aceitamos uma fatia maior de responsabilidade, mas esse é um desafio global e requer uma resposta global."
Os líderes do Japão, Grã-Bretanha, Canadá, Alemanha, França, Itália, Rússia e EUA haviam acatado a meta de 2050 um dia antes, mas ressaltaram que seus países não seriam capazes de atingi-la sozinhos.
SUPERANDO AS DIFERENÇAS
Os países ricos precisaram superar grandes diferenças apenas para acertar seu próprio acordo sobre as mudanças climáticas. A Europa e o Japão defendiam medidas mais drásticas, ao passo que os EUA opuseram-se à adoção de metas claras sem a garantia de que as grandes economias emergentes fariam o mesmo.
O presidente norte-americano, George W. Bush, disse que "avanços significativos" haviam sido realizados na cúpula a respeito do aquecimento global. O Japão e a UE também elogiaram os resultados.
Os ambientalistas, no entanto, não vêem motivos para comemorar.
"Trata-se do mesmo impasse que verificamos já há algum tempo", disse à Reuters Kim Carstensen, diretora da iniciativa do clima global junto ao WWF.
De toda forma, nunca houve grandes expectativas a respeito de avanços na questão climática durante as negociações do G8 desta semana.
Os países em desenvolvimento, junto com a UE e grupos ambientalistas, defendem que os países ricos precisam assumir as rédeas do processo e fixar metas intermediárias para garantir o cumprimento da meta de 2050, considerada pelos cientistas o mínimo necessário para evitar as consequências mais danosas do aquecimento global.
A Índia afirmou no encontro das grandes economias que os países desenvolvidos não haviam feito o suficiente.
"Isso precisa mudar e vocês (o G8) precisam mostrar a liderança que sempre prometeram, assumindo e depois cumprindo metas de redução realmente significativas", afirmou o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh.
Os líderes do G8 também reconheceram a ameaça representada pelos preços em alta do petróleo e dos alimentos, algo que poderia empurrar milhões de pessoas para a pobreza. No entanto, os países ricos não apresentaram novas estratégias para enfrentar problemas complexos que, segundo disseram, demandavam soluções de longo prazo.
(Reportagem adicional de William Schomberg, David Clarke, David Fogarty, Lucy Hornby, Edwina Gibbs)
Fonte: Reuters
TOYAKO, Japão (Reuters) - O G8, grupo dos sete países mais industrializados e a Rússia, acenou com um acordo de combate às mudanças climáticas em uma cúpula concluída na quarta-feira, mas não conseguiu convencer as maiores economias emergentes de que os países ricos se esforçam o suficiente.
O aquecimento da Terra tornou-se o assunto mais polêmico da cúpula do G8 neste ano, realizada no Japão e na qual discutiram-se também outros problemas, entre os quais a crise no Zimbábue, a crescente instabilidade do Afeganistão, a pobreza na África e a disparada dos preços do petróleo e dos alimentos.
"Não houve nenhum grande avanço neste encontro em particular. Apenas demos um passo à frente", disse o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, que participou na quarta-feira de um encontro sobre as mudanças climáticas no qual estiveram presentes o G8 e outros oito dos países mais poluentes do mundo.
"Claro que há ainda um caminho muito longo a percorrer."
Os 16 integrantes do Encontro das Grandes Economias concordaram que é preciso realizar "cortes profundos" na emissão de gases do efeito estufa a fim de combater o aquecimento global, um fenômeno intimamente ligado a uma alta dos preços responsável por prejudicar economias já fragilizadas.
Mas as desavenças entre os países ricos e os mais pobres impediram que a maior parte das economias emergentes aderisse a uma meta de diminuir ao menos pela metade as emissões globais até 2050.
O grupo mais amplo tampouco estipulou números específicos para as metas intermediárias que os países desenvolvidos haviam aceitado assumir.
José Manuel Barroso (presidente da Comissão Européia, braço executivo da União Européia) disse, porém, que falar apenas dos desentendimentos seria um retrato infiel do que ocorreu.
"É um erro ver isso em termos de confrontação entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento", afirmou.
"Claro que aceitamos uma fatia maior de responsabilidade, mas esse é um desafio global e requer uma resposta global."
Os líderes do Japão, Grã-Bretanha, Canadá, Alemanha, França, Itália, Rússia e EUA haviam acatado a meta de 2050 um dia antes, mas ressaltaram que seus países não seriam capazes de atingi-la sozinhos.
SUPERANDO AS DIFERENÇAS
Os países ricos precisaram superar grandes diferenças apenas para acertar seu próprio acordo sobre as mudanças climáticas. A Europa e o Japão defendiam medidas mais drásticas, ao passo que os EUA opuseram-se à adoção de metas claras sem a garantia de que as grandes economias emergentes fariam o mesmo.
O presidente norte-americano, George W. Bush, disse que "avanços significativos" haviam sido realizados na cúpula a respeito do aquecimento global. O Japão e a UE também elogiaram os resultados.
Os ambientalistas, no entanto, não vêem motivos para comemorar.
"Trata-se do mesmo impasse que verificamos já há algum tempo", disse à Reuters Kim Carstensen, diretora da iniciativa do clima global junto ao WWF.
De toda forma, nunca houve grandes expectativas a respeito de avanços na questão climática durante as negociações do G8 desta semana.
Os países em desenvolvimento, junto com a UE e grupos ambientalistas, defendem que os países ricos precisam assumir as rédeas do processo e fixar metas intermediárias para garantir o cumprimento da meta de 2050, considerada pelos cientistas o mínimo necessário para evitar as consequências mais danosas do aquecimento global.
A Índia afirmou no encontro das grandes economias que os países desenvolvidos não haviam feito o suficiente.
"Isso precisa mudar e vocês (o G8) precisam mostrar a liderança que sempre prometeram, assumindo e depois cumprindo metas de redução realmente significativas", afirmou o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh.
Os líderes do G8 também reconheceram a ameaça representada pelos preços em alta do petróleo e dos alimentos, algo que poderia empurrar milhões de pessoas para a pobreza. No entanto, os países ricos não apresentaram novas estratégias para enfrentar problemas complexos que, segundo disseram, demandavam soluções de longo prazo.
(Reportagem adicional de William Schomberg, David Clarke, David Fogarty, Lucy Hornby, Edwina Gibbs)
Leia mais
- 10/07/2008Israel apóia sanções contra Irã, mas diz que pode entrar em ação
- 10/07/2008Papa é grande astro de "Woodstock católico" na Austrália
- 10/07/2008Sob críticas, Sarkozy defende viagem à Olimpíada
- 10/07/2008Touros deixam vítimas no quarto dia da festa de Pamplona
- 10/07/2008Irã testa mais mísseis; EUA prometem defender aliados
Links Relacionados
Links Patrocinados
© POP Internet 2008 - Todos os direitos reservados
Midiaweb - Inteligência Interativa







