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“Em Família” nº100: Como uma tranqueira desinteressante chegou até aqui

Hoje “Em Família” chega ao centésimo capítulo e temos muito o que comemorar, né? Quer dizer, a única comemoração que consigo imaginar é nossa, pois já passamos da metade e daqui dois meses não precisaremos mais acompanhar aquela cambada de gente chata com seus problemas de “classe média sofre”. Mas acho que podemos comentar um pouco o que aconteceu nesses últimos 100 capítulos, né?

Personagens 100… graça

Olha, Manoel Carlos que me perdoe, mas nunca vi tanta gente chata reunida num mesmo lugar. Quer dizer, tirando a grande festa de natal dos Khoury… Mas os personagens da novela das nove são desinteressantes e não nos dão vontade alguma de torcer por eles. Quer dizer, eu até torço para que Laerte (Gabriel Braga Nunes) seja atropelado pelo bonde da Mc Ludimilla, mas isso não conta. Todos os personagens são de um nível social irreal onde problemas financeiros são ausentes e os grandes problemas são tão dignos quanto o protesto da Ticiane Pinheiro no Twitter contra o trânsito na Marginal.

Além da falta de carisma, os personagens agem de um jeito que ninguém consegue entender. Vamos pegar por exemplo Luiza (Bruna Marquezine). Ela busca eternamente a própria felicidade, mesmo que isso signifique terminar de forma brusca com o namorado André (Bruno Gissoni) e casar-se às pressas com o ex-noivo de sua mãe, que coincidentemente tentou matar seu pai e causou aquela cicatriz em forma de perereca na cara dele. Sabe… não dá…

Tramas 100… relevância

Manoel Carlos sempre colocou grandes discussões para a sociedade em suas novelas anteriores, e suas polêmicas sempre nortearam as conversas de bar e na fila da padaria. De cabeça lembro a questão da síndrome de Down em “Páginas da Vida” e da agressão à mulher de “Mulheres Apaixonadas”. No entanto, as discussões de “Em Família” não estão sendo discutidas e ninguém quer falar do drama de Selma (Ana Beatriz Nogueira) ou então do desespero de Juliana (Vanessa Gerbelli).

Mesmo acontecimentos importantes vêm sendo ignorados pelo público. Esses dias houve o grande embate entre Virgílio (Humberto Martins) e Laerte, descrito por Manoel Carlos como a luta do século, e o público simplesmente não assistiu. Mesmo nós da imprensa esquecemos do fato, porque nem escrevemos notícias de “briga de Virgílio e Laerte não levanta a audiência da novela”.

Novela 100… público

A Globo desesperadamente vem tentando trazer as pessoas para “Em Família”, e Bruna Marquezine virou a cobaia da emissora. Desde o começo da novela ela já ficou pelada em diversas cenas, teve mais relações sexuais que todos nós juntos e participou de atropelamentos e outras tragédias. Outra que a Globo tentou emplacar foi a vilã Shirley (Viviane Pasmanter).

O medo de perder o pouco público que tem fez também a emissora a investir nos casais com alguma relevância no público. Ao constatar que as pessoas não estavam torcendo por Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller) por causa do carisma de Cadu (Reynaldo Gianecchini), logo Maneco colocou o cozinheiro chato para flertar com a doutora Pícara Sonhadora (Bianca Rinaldi).

Emissora 100… esperança

Vamos ser bem sinceros: nem milagre vai salvar “Em Família”. O jeito é tentar minimizar ainda mais a queda de audiência e fazer como no caso de “Além do Horizonte”, que foi levada até o fim do jeito que tava mesmo e depois esquecida. Uma pena que Manoel Carlos se despedirá das novelas dessa forma, mas ele é uma prova que sempre é possível se superar.

Afinal, “Em Família” conseguiu a PROEZA de superar a ruindade de “Viver a Vida”.

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